sábado, 28 de fevereiro de 2015

Para Refletir: O Planeta Está Dentro de Nós




Do livro: Espiritismo e Ecologia
Autor: André Trigueiro

Somos feitos rigorosamente dos mesmos elementos que constituem o planeta. A palavra homem, de onde vem Humanidade, tem origem no latim húmus. A palavra Adão, que aparece no Velho Testamento, como a primeira criatura humana, significa terra fértil em hebraico. Essa mesma terra – que empresta o nome ao planeta e à nossa espécie – se revela no mais rudimentar dos exames de sangue, quando descobrimos que por nossas veias transportamos minérios que que jazem nas profundezas do solo. Ferro, zinco, cálcio, selênio, fósforo, manganês, potássio, magnésio e outros elementos são absolutamente fundamentais à nossa saúde e bem-estar. Se descuidamos da ingestão desses alimentos – nosso metabolismo fica exposto a diferentes gêneros de desequilíbrio e doenças.
O mesmo ocorre em relação a água. As primeiras estruturas microscópicas de vida do planeta apareceram nas águas salgadas e quentes dos mares primitivos. Também quente é o liquido que nos envolve no período de gestação no útero materno. O soro fisiológico – bem como o soro caseiro – salva vidas quando recompõe a tempo nossa necessidade deste precioso líquido. Por um capricho divino, a proporção de água do planeta (70%) é a mesma com que esse elemento compõe o nosso corpo físico. Precisamos ingerir pelo menos 2,5litros de água por dia para assegurar o bom funcionamento do metabolismo, irrigando células, glândulas, órgãos, tecidos. Também precisamos de uma quantidade mínima de água no ar que respiramos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), se a umidade relativa do ar oscilar entre 20% e 30%, deve-se considerar estado de atenção; entre 12% e 20%, é estado de alerta; abaixo de 12%, é estado de emergência. É absolutamente desagradável – e ameaça a saúde – respirar num ambiente com pouco vapor d`água misturado ao ar.
O elemento fogo se revela simbolicamente em diferentes fenômenos fundamentais à manutenção da vida. Vem do sol a energia que sustenta todas as estruturas vitais do planeta, cujo núcleo é composto de uma grande massa de magma incandescente. O que se convencionou chamar de EFEITO ESTUDA é a capacidade de a atmosfera reter parte do calor irradiado pelo sol. Trata-se de um fenômeno natural, que assegura a manutenção da temperatura média do globo na faixa de 15 graus. Não fosse possível reter esse calor através dos gases que compõem a atmosfera, a temperatura média do planeta seria de 23 graus negativos, reduzindo-se drasticamente a presença de vida na Terra. O aquecimento é o agravamento do efeito estufa, causado principalmente pela queima progressiva do petróleo, carvão e gás, que gera inúmeros problemas à Humanidade por meio de  mudanças climáticas. Por fim, somos animais de sangue quente, graças ao trabalho ininterrupto de um poderoso músculo do tamanho de uma mão fechada, que irriga vida para todas as partes do corpo humano. O coração é a grande usina de calor do organismo, símbolo maior do amor e  de nossa capacidade de doar, de nos entregar e de manifestar so mais nobres sentimentos.
O ar é o elemento mais urgente para nossa existência. Podemos passar vários dias sem ingerir alimentação sólida, um número menor de dias sem líquidos, mas apenas alguns poucos instantes sem ar. Na milenar tradição mística da Índia, o prana – our força vital – é absorvido pela respiração. Numerosas práticas de meditação preconizam a necessidade de respirarmos com consciência, entendendo a inspiração e a expiração como importante ferrameta de troca de energia com o meio que nos cerca. A respiração profunda regula o batimento cardíaco, harmoniza os centrod de força (ou chacras) que acumulam e distribuem a energia vital, ajuda a clarear o raciocínio e a guiar as emoções. Considerando a importância estratégica de todos esses elementos para nossas vidas, é forçoso reconhecer que sem água potável, terra fértil, ar respirável e incidência adequada de luz e calor, nosso projeto evolutivo encontra-se ameaçado. As condições cada vez menos acolhedoras de nossa casa (oikos) tornam o ambiente hostil à vida humana por nossa própria imperícia, imprudência e negligência. Sofremos as consequências dos estragos que determinamos ao meio que nos cerca porque, na verdade, o que está fora também está dentro. Não é mais possível separar a Humanidade do planeta. “ O meio ambiente começa no meio da gente”.
No capitulo X de A Gênese, Allan Kardec ratifica esse princípio comum ao dizer que “são os mesmos elementos constitutivos dos seres orgânicos e inorgânicos, que os sabemos a formar incessantemente, em dadas circunstâncias, as pedras, as plantas e os frutos”. O que vale para o corpo físico, também vale para a substância que envolve o Espírito, como aparece explicado no primeiro capítulo de O Livro dos Espíritos. É o que na Doutrina se convencionou chamar de perespírito.
- Assim, quando os Espíritos que habitam mundos superiores vêm ao nosso meio, tomam um perespírito mais grosseiro?
- É necessário que se revistam de vossa matéria, já o dissemos.
Esse fluido cósmico universal – matéria-prima de tudo que existe – assume diferentes formas e texturas na exuberante rede de sistemas que se desdobram pelo Universo. Somos todos, essencialmente, feitos da mesma coisa. A compreensão dessa realidade poderá determinar o aparecimento de uma nova ética existencial, na qual nos reconheçamos como parte do Todo, e na razão pela qual o Universo existe.

Ministério do Meio Ambiente
Ministra Viviane Teles

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