terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Sobre o Carnaval




A palavra ‘carnaval’ originou-se etimologicamente do latim ‘carne levare’, que significa ‘abstenção de carne’, e designava a véspera da quarta feira de cinzas, isto é, o dia em que se iniciava a abstinência de carne exigida pela Quaresma – período litúrgico de 40 dias da Igreja Católica, que se inicia na quarta feira de cinzas e vai até o domingo de ramos, antecipando a celebração da Semana Santa e do período pascal.Na Idade Média, haviam formas de latim vulgar transformadas em variantes dialetais italianas, que mantinham esse significado. Mas foi do milanês ‘carnelevale’, de 1130, que originou o italiano moderno ‘carnevale’, do séc. XIV, e deste, o português ‘carnaval’. 
Sua origem é obscura e talvez assente suas raízes em alguma festividade primitiva, de feição religiosa, em honra ao ressurgimento da natureza, com a volta da primavera. Alguns historiadores aproximam os festejos de celebrações da Antiguidade, de caráter orgíaco, a exemplo das bacanais e das saturnais romanas, mas a festa não surgiu até a Idade Média e a ascensão do poder da Igreja Católica. O carnaval se configurou como uma série de folguedos populares promovidos habitualmente nos três dias anteriores ao início da Quaresma, do domingo da quinquagésima à terça feira gorda. No entanto, na Idade Média, quando estes festejos se popularizaram, como explica o historiador russo Mikail Bakunim, eles se caracterizaram por um período de suspensão das leis da igreja que poderiam variar de uma semana até dois anos, conforme as necessidades políticas da época. Algumas pessoas afirma que o Carnaval seria uma festa pagã, e que por isso nem sempre foram cordiais as relações entre autoridades eclesiásticas e os carnavalescos. Contudo esta percepção é errada. O Carnaval é uma festa cristã e católica,  desde a fixação cronológica dos períodos momescos que gira em torno de datas determinadas pela própria Igreja, desde a decisão tomada, na Idade Média, de estabelecer a festa para controlar alguma parte da população que estivesse desgostosa com as regras impostas pela Santa Sé ou pelo rei. Era a oportunidade para que aqueles rebeldes pudessem viver suas vontades por um período do ano.É por causa disso, desse sentimento de rebeldia, que os foliões carnavalescos adotaram as máscaras e o disfarce. Assim poderiam viver suas fantasias em liberdade durante o período que a Igreja os libertava de suas regras em anonimato. 
No entanto, com o tempo, esta relação com a Igreja Católica se perdeu e a festa se revestiu de um sentimento lúdico (o disfarce, a dança, o canto e o gozo de certa liberdade de expressão humana, refreada grandemente ao longo do restante do ano), e a folia carnavalesca se apresentou com características distintas nos diferentes lugares em que se popularizou. No Brasil, os festejos pré-carnavalescos, chamados prévias de carnaval, começam com as comemorações de passagem de ano, continuando em datas esporádicas até chegar o período carnavalesco propriamente dito. Há inclusive os chamados ‘carnavais fora de época’ que ocorrem ao longo do ano em vários locais diferentes do país. O carnaval no Brasil é um festejo de âmbito nacional, transformado em algumas áreas em motivo de justificada atração turística. Sua fama assenta-se fundamentalmente na presença de manifestações locais de cunho folclórico ou popular.
A pergunta que com certeza muitos que estão começando a trilhar seu caminho ao lado dos Mestres Ascensionados buscando a senda fazem é: é errado para nós, discípulos da Grande Fraternidade Branca, participarmos destes festejos chamados hoje em dia de Festa da Carne? A resposta é bem simples na verdade e talvez seja a resposta que pode ser usada para inúmeras outras questões em nossa vida: escute sua consciência e pergunte qual é o pensamento-semente que te faz querer participar desta festa? Se um chela quer participar do Carnaval porque deseja estar na festa para compartilhar com seus amigos, para dividir aquele momento com sua família, para divertir-se ao lado de pessoas que ama, não existe problema algum para envolver-se de uma festa tão popular em nosso país. Se seu pensamento-semente, seu objetivo por trás de tudo, no mais profundo do seu coração, não for puro, então não é uma boa ideia que você brinque as folias de Momo.


Helder Ranilson Barros e Guardião Lenin Campos

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